A escola

O primeiro ano de escola ficou marcado de um jeito curioso.

A escola era simples, toda de madeira, pintada num tom já gasto pelo tempo. Ficava perto de casa, coisa de uma quadra, talvez até menos. O horário era de manhã, como quase tudo naquela época. E como toda escola, havia o ritual da fila antes da aula começar — geralmente uma fila única, organizada na frente do pátio.

Mas, no meu caso, tinha um detalhe.

Eu sempre chegava antes de todo mundo.

Não sei dizer ao certo se era empolgação ou um certo medo infantil de me atrasar. Talvez um pouco dos dois. Eu pegava minha pastinha — de um material que parecia couro sintético, marrom, simples, mas que eu carregava com certo cuidado e ia direto para a escola.

E lá ficava.

Sozinho.

Primeiro da fila… e único, por um bom tempo.

Devia ter uns seis ou sete anos, provavelmente sete, que era a idade de começar. Lembro que algumas pessoas passavam pela rua, indo trabalhar ou resolvendo a vida, e às vezes olhavam aquela cena: um menino pequeno, parado em frente à escola fechada, já posicionado como se a aula fosse começar a qualquer momento.

Alguns até riam.

Mas o curioso é que aquilo não me constrangia nem um pouco. Eu não tinha essa leitura. Não entendia como algo estranho.